O Norte-Noroeste fluminense está abandonado, por todos os níveis de governo, apesar da riqueza dos petro-royalties.
Estradas esburacadas, mal sinalizadas, sem equipes de socorro distribuidas de modo adequado, talvez não sejam o mal maior, apesar da quantidade de vítimas de acidentes de tráfego nas estradas da região.
Na área de Segurança e Saúde no Trabalho, por exemplo, não tem mais representação da Fundacentro em Campos, desde 1987 e a fiscalização do MTE só acontece em projetos especiais, praticamente limitados ao setor sucro-alcooleiro e algumas inspeções na construção civil. Pelo que eu sei, em Campos só tem um Auditor Fiscal do Trabalho – engenheiro de segurança do trabalho. Motivo: o último concurso para AFT com especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e em Medicina do Trabalho aconteceu há cerca de dez anos, no governo Fernando Henrique Cardoso. O governo Lula fez concurso, mas sem abrir vaga para especialistas em SST. Nesse interregno, a Delegacia Regional do Trabalho do RJ perdeu um grande número de ATF especialistas, que foram aposentados ou morreram. A região merece e precisa, urgentemente, de uma equipe permanente de inspeção do trabalho. Eu sei que isso não é fácil, pois depende de decisões de governo, de vontade política. Além disso, uma equipe permanente, especializada para esse tipo de tarefa, teria que ser um “mix” de técnicos experientes e jovens com boa capacidade física, para “encarar o batente”. Mas é mandatório fazer alguma coisa, já!
Por quê?
Parece até que a exploração do petróleo é uma atividade isenta de riscos e de menor importância, apesar das diversas tragédias que já aconteceram no setor, na região.
O “brasileiro” parece ser um povo cuja tolerância é interminável. Plataformas queimam e navios naufragam. Helicópteros caem, mergulhadores desaparecem, barcos são abalroados, e tudo prossegue, como se estivéssemos na “Santa Paz”.
Até onde isso vai? Eu não sei, e você?