O imbróglio do Bondinho do Corcundinha.

Imagine o seguinte:

A empresa Ponto Quente tem centenas de lojas espalhadas por todo o Brasil. Essa empresa tem em estoque milhares de itens para venda.

O estoque, por questões logísticas, está dividido, com o armazenamento feito em vários Estados diferentes.

Além disso, a empresa resolve abrir uma loja para vender seus produtos pela Internet. Isso significa que a empresa passa a ter o equivalente a milhões de lojas físicas, pois cada um dos milhões de consumidores em potencial pode resolver comprar o mesmo produto, ao mesmo tempo.

Com se resolve isso?

Fácil! A empresa cria um banco de dados, com todos os produtos em estoque, em todos os seus depósitos espalhados pelo Brasil.

Quando alguém entra em uma loja física, em qualquer lugar do Brasil, e compra determinado produto, o sistema de gerenciamento de banco de dados da empresa, antes de concluir a venda, verifica se o produto existe no estoque. Depois procura o produto no depósito mais próximo do local de entrega, geralmente a casa do comprador. Se o produto não estiver disponível nesse depósito, o depósito mais próximo seguinte será pesquisado.

Quando finalmente é encontrado o produto, o sistema de gerenciamento de banco de dados da empresa bloqueia temporariamente a unidade do produto (se houver, por exemplo, seis unidades, o sistema bloqueia uma e deixa apenas cinco, para que estejam disponíveis para outros interessados), e informa ao comprador o prazo de entrega – por exemplo, o comprador é do Rio de Janeiro, mas o produto só existe no depósito do Espírito Santo e vai levar dez dias para chegar.

O consumidor aceita, fecha a compra, e a unidade do produto é baixada no estoque: agora, em vez de seis, existem apenas cinco unidades disponíveis, no Brasil inteiro.

O mesmo procedimento funciona para compras pela Internet.

Agora imagine outra coisa:

Um ingresso para andar no “Bonde do Corcundinha” pode ser equiparado a um produto a ser vendido.

Um controle de data (em banco de dados) pode limitar o número de ingressos que podem ser vendidos para serem usufruídos a cada horário de cada dia.

Se há 200 ingressos para cada horário, para o dia 22 de maio de 2013, quando alguém compra um ingresso, seja onde for, DESDE QUE O SISTEMA DE VENDA ESTEJA INTEGRADO EM UMA MESMA REDE E UM ÚNICO BANCO DE DADOS, o sistema, concluída a venda, passará a mostrar apenas 199 ingressos disponíveis.

A conclusão é a seguinte: Porque o “Bondinho do Pão de Queijo Redentor” não consegue vender, simultaneamente, ingressos na bilheteria e pela Internet?

É incompetência ou é outra coisa?

Abraços de Jorge Queiroz dos Reis, engenheiro.

Anúncios
Published in: on quinta-feira, 23 maio 2013 at 8:39 pm  Comments (1)  

The URI to TrackBack this entry is: https://jorgereis.wordpress.com/2013/05/23/o-imbroglio-do-bondinho-do-corcundinha/trackback/

RSS feed for comments on this post.

One CommentDeixe um comentário

  1. O post se refere às mudanças no bonde do Corcovado, no Rio de Janeiro: “As mudanças no sistema de compra de ingresso para o Corcovado, no Rio de Janeiro, deixaram muito turista confuso. A medida era para facilitar o acesso ao Cristo Redentor, mas o resultado não foi muito bom.
    Conhecer o Rio de Janeiro e não ver o Cristo Redentor não estava nos planos de Jordana Nobre. Ela queria subir de trenzinho, mas foi comprar o ingresso no lugar errado.”
    http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/05/mudancas-na-compra-de-ingressos-para-o-corcovado-confundem-turistas.html


Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: